quarta-feira, 26 de novembro de 2014
A Vida Traduzida
Eu sei que incontáveis pessoas estavam esperando pelo meu relatório sobre "Como é viver na Coreia, essa terra alienígena e estranha a toda e qualquer percepção humana"
Sei disso porque a repercussão da minha partida conseguiu chegar até mim apesar da distância. Parentes ligando querendo saber notícias, amigos perguntando a pergunta clássica entre outras coisas. Demorei bastante para responder essa pergunta para muitas pessoas, e para outras apenas dei respostas curtas porque já era hora de dormir - para ela ou para mim.
Heis aqui, meus amigos, o tão esperado-e-detalhado relatório da terra em que estou vivendo (finalmente!)
Eu não sei.
Sério.
Veja bem, eu prometi e jurei que seria fácil, mais que fácil, natural até escrever assim que eu pisasse aqui. Eu estava certa de um jeito errado: progredi um pouco em alguns romances que escrevo, lamentei não ter escrito em inglês para os meus amigos da banda de cá lerem e se tudo der certo um mini romance vai estar pronto daqui a pouco.
Mas... escrever sobre a Coreia, sobre o dia a dia, sobre as coisas impressionantes daqui não consigo. Não sei.
Não sei responder essas FAQ. E isso me entristece, de verdade.
Não é questão de não ter sobre o que escrever. Isso virou quase uma tese: Você sabe uma porrada de coisa, mas não consegue organizar nada e colocar no papel. Para você, tudo que você quer falar já foi dito e é ridículo dizer de novo. E o que não foi dito você não sabe nem como começar.
É claro que eu tenho uma teoria do porquê. Eu sempre tenho e sempre terei para tudo, é por isso que nunca descanso.
Vamos lá: nos últimos três meses (que parecem uma vida) estive traduzindo tudo. Minha vida, como é o Brasil realmente, como eu quero o café e como eu me sinto. Acontece que tradução é algo exaustivo (ainda bem que desisti de ser tradutora?) principalmente se, em 4 anos anos de universidade e em alguns meses na psicóloga a sua principal lição foi que é importante entender e ser entendido. De preferência com detalhes e minúcias.
E no começo era difícil até dizer para a moça do caixa que seria muito bom beber cappuccino com creme em cima. Agora eu posso dizer isso, mas ela ainda vai ter dificuldades de me entender e vai responder rápido.
Mas nem tudo é ruim, claro!
Graças a Deus fui abençoada com uma língua latina próxima o suficiente do inglês - e com o advento da ocidentalização do mundo - para me permitir falar inglês mais facilmente do que qualquer língua asiática.
O problema não é falta de laços afetivos para eu seguir em frente. O problema é o meu grande orgulho ferido por não poder perguntar para a moça sobre o creme com propriedade. Ou perguntar com erros gramaticais. A verdade é que eu não preciso de creme no cappuccino se não apenas do cappuccino. Ou, mais sabiamente, conseguir dizer isso.
Eu consegui dizer algumas vezes, mas é cansativo mentalmente. E hoje posso dizer que isso é a tão falada adaptação.
A minha vida já foi traduzida. Eu já tenho uma rotina. Já tenho certa segurança, não estou mais desamparada. Já tenho várias formas de pedir o creme em cima do cappuccino mas tenho a opção de não pedir para economizar dinheiro.
É por isso que não posso/não consigo escrever sobre isso. Queria muito conseguir espalhar para todo mundo o quão bom é essa vida e tudo isso, mas não sei como traduzir isso. Eu queria abarcar todos os meus amigos que agora se somam a várias nacionalidades mas o fato de escrever isso em português exclui todos os amigos daqui.
Talvez, em um dia normal ou em uma noite normal eu conseguirei escrever o que todos querem ler... Mas por enquanto, é isso que consigo responder e escrever.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
O Índio e o Espelho ou Como me Tornei Alvo de Escambo
Vou tentar desvendar um particularmente curioso. Uma amiga minha me contou, antes que eu pudesse ter contato com o texto, sobre a forma peculiar que o espelho era tratado no livro do Gilberto Freyre.
Escambo é o termo usado para a troca entre Portugueses e os Índios na chegada dos Europeus aqui. Chamou a atenção dela e não saiu da minha que, ao dar um exemplo de como essa troca ocorria, Freyre usava o espelho como o principal produto de troca. Nas palavras dele, bastava um pedaço de espelho que as índias abriam as pernas.
Deixando as babaquices de Freyre de lado, o curioso é que o espelho parece ser quase ouro na hora da troca, o que não faz muito sentido. Como diz minha amiga, os índios tinham outras formas de se verem, não tem porque essa supervalorização existir. Alguém consegue explicar isso? não.
Como eu disse, é o tipo de coisa que não se estuda e não se tem fonte para isso, então, não existe artigo nenhum sobre isso.
De tudo que eu já li até agora, a minha teoria é bastante mirabolante: o principal produto que o Egito antigo vendia nos tempos idos era o espelho. Para os Romanos, era um produto exótico e de luxo, alvo de fascinação. Talvez essa impressão tenha viajado até chegar nos Portugueses, herdeiros da cultura romana, ainda achando fascinante. Ao encontrar os índos, eles acharam que era Egito e Roma tudo de novo.
Eu teria deixado esse assunto morrer se não fosse a minha viagem à praia da ponta do corumbau, na Bahia. Lá é famoso não só pela praia digna de caribe mas pela tribo de índios alcoolizados que lá vive.
Depois de pagar uma bebida para ele, minha família resolveu bater papo com um índio que havia nos vendido ostras para comer. Papo vai, papo vem ele faz uma proposta para o meu irmão: Quer casar com uma índia? se você casar com uma índia eu caso com uma branca - e olhou para mim.
Eu fui alvo de escambo =O
E não parou por aí
meu irmão respondeu que já tinha namorada mas não ficou por isso mesmo. Depois de explicar como funcionava sua tribo, ele virou para mim e disse exatamente essas palavras:
"- Ontem eu carreguei 20Kg de espelho"
Para tudo.
Quantos clichês cabem em um índio? Parece que muitos.
terça-feira, 4 de março de 2014
A Arte de Ficar Sozinha
Até hoje, nunca parei para pensar como eu faço isso se, para muita gente, estar sozinha por 1 hora já é muito. E eu, com a minha incrível capacidade de julgar essas pessoas, nunca consegui entender. Como dizia a frase mais famosa da série Lost: "Live together, Die alone" (viva junto, morra sozinho). Todos vamos acabar sós mesmo, não tem porquê se desesperar. Podemos tentar viver juntos, mas no fim morreremos sozinhos. Enfim, eu não sabia como eu fazia isso e, para falar a verdade, me sentia um pouco Dexter toda vez que falava com alguém e ninguém se identificava comigo.
Hoje bateu a filosofia da questão: numa linda tarde de terça-feira de carnaval, quando deu 13 horas da tarde eu não conseguia mais ficar sozinha. Liguei a TV, escutei "Total Eclipse of the Heart" até dizer chega, lamentei pela minha audição e até contei os zumbidos irritantes que não me deixam esquecer que estou ficando surda (foi uns 4, depois perdi a paciência de contar), fiquei olhando pela janela tentando encontrar um motivo para sair de casa mas lembrei que feriado não tem nada aberto, desisti.
Eu havia desaprendido a ficar sozinha. Deveria ter tomado notas, escrito em algum lugar como se faz ou simplesmente ter planejado alguma coisa que preenchesse todos os dias como eu faço obsessivamente. Depois de tentar contato com algum ser humano, desliguei o computador, a televisão e comecei a olhar para o nada, em busca de alguma coisa. Não me entendam mal, ainda tenho muito o que fazer, terminar um "personal statement" que deixei na metade e uma resenha crítica para mono, sem falar na casa. Mas sentar no sofá sozinha e perceber que eu não ia conseguir ficar mais sozinha a partir daquele momento me derrubou. Eu, que sempre critiquei pessoas carentes e dependentes, acabava de me tornar uma (P.S.: não julgar)
Essa história não teve um final feliz, por assim dizer. A noite chegou, a crise passou mas não consegui falar com qualquer alma viva. O final feliz dessa história é esse texto e a sua conclusão.
Concluí que não tenho a dinâmica do Dexter, apesar de sombriamente me identificar com muitas coisas que ele diz. Concluí que sou mesmo muito julgadora e que devia parar com isso. E o mais importante: eu fui arrogante ao achar que dominava a arte de ficar sozinha. Isso nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Eu só fui esperta o suficiente para ocupar os meus dias de forma que eu não precise ficar comigo mesma. Quando era na UnB, fazia questão de ter aulas juntas e sem janelas, sempre com música. Quando em casa, me entupir de livros, filmes, novelas e seriados.
Tenho que re-aprender a ficar sozinha de novo, do contrário as coisas podem desandar. Coisas simples, como, por exemplo, a vida.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Saudades do Invisível
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
A Lágrima
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Conto de uma Invasão Irreal
Um dia, de tarde, eu estava sozinha em casa. Eu devia ter bem uns 16, 17 anos. A campainha tocou e interrompeu a minha cozinha. Desliguei o fogo e fui alegremente ver quem era. Havia um homem, na casa dos quarenta talvez, encostado nas grades. Minha mãe costuma receber muitos motoboys que pedem doações para as milhões de creches e asilos por aí, por isso assumi que era mais um. Quando abri a porta, percebi que ele estava de carro. Até aí, tudo bem, existem motoboys de carro.
Eu era, fui, sou tão inocente que logo logo me aproximei da grade, já com a chave na mão para abrir o portão. Cheguei muito perto da grade, com um olhar indagador para o homem, silenciosamente perguntando de qual creche ele era e quanto eu teria que desembolsar. O homem olhou para mim, no rosto qualquer cinismo, e disse: "Sua mãe me enviou para dar uma olhada no gás. Posso entrar?"
Na mesma hora congelei e ouvi a voz da minha mãe na minha cabeça" "Não fale com estranhos. Se alguém disser que é um amigo meu e você não reconhecer, é porque é mentira. Você conhece todos os meus amigos." Ela diz isso para mim desde que eu me entendo por gente.
Naquela hora, caí na meia besteira de dizer: "Ela não está". O homem olhou para mim e começou a examinar os arredores da garagem. Comecei a bolar um plano de fuga em segundos: jogaria a chave para o mais longe possível dele, e se ele me ameaçasse com armas ou algo do tipo, pularia atrás do vaso do pé de jabuticaba da garagem.
Mas isso tudo é só a minha imaginação embebida de adrenalina. A única coisa que efetivamente fiz foi dar dois passos para trás, o suficiente para que a mão esticada dele através das grades não pudesse me pegar.
Quando respondi que a minha mãe não estava, ele ainda tentou, me tratando como criança: "Deixa eu entrar, é rapidinho" Reuni todo o olhar raivoso, ameaçador, cínico e perigoso que podia para responder: "Você vai ter que esperar ela"
Ele ainda deu uma última olhada nas janelas da minha casa e talvez tivesse olhado para mim, avaliando o que perdeu e disse qualquer coisa como "então tá" ou "depois eu volto". Observei ele ir, pensando aliviada que me livrei de uma invasão, mas que talvez alguém mais ingênua que eu não tivesse a mesma sorte.
Essa invasão foi irreal, mas tão real quanto esse conto.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Ah! O Tempo...
"Tudo passa, até uva passa" eu costumo dizer. Eu acredito mesmo que tudo passa com o tempo: amor, ódio, raiva e por aí vai. Mas os mais incrédulos dizem que não; há que se fazer algo para curar, deixar o tempo simplesmente passar não adianta.
O tempo, já disse alguns historiadores, é uma invenção recente. Antes de existir relógio, existia o relógio dos ciclos de plantação, de reza, enfim, ciclos que andavam em círculos.
Acredito sim que existe um tempo inventado e um tempo real. E quando digo que o tempo cura tudo, me refiro aos dois tempos. O tempo inventado, que nada mais é do que o nosso tempo interno, nossa percepção do tempo real, é um dos mais importantes para a cura. Se você não deixa o tempo interno passar, você vive o mesmo dia por anos. E se você acelera o seu tempo interno, se cansa tanto que eventualmente vai parar e nunca mais querer seguir. Na mesma medida, o tempo real influência o tempo interno de modo decisivo e até mesmo cruel. Infelizmente, nosso corpo não acompanha o nosso tempo interno, e quando menos se percebe estamos velhos, quase morrendo, com muitos arrependimentos.
Nos dois casos, o tempo passa. Você pode até querer parar seu tempo interno porque você ainda quer amar aquela pessoa, ou ainda quer lembrar da pessoa que se foi, mas o tempo real vai bater na sua porta. Não deixe que isso aconteça de maneira cruel.
É irônico como não conseguimos viver no presente. Estamos sempre no passado ou no futuro, sendo que o futuro não existe e o passado não mais.
O que eu quero dizer é que, de agora em diante vou procurar viver no presente para tentar construir qualquer coisa, pois sei que será mais real do que construir no passado ou futuro irreal. Tanto no presente real quanto no interno.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
O Copo de Kriptonita
Nesse curto período de férias - começou um pouco antes, admito - resolvi me aventurar nas 10 temporadas de smallville. Entre as 5 temporadas que vi até agora, há um episódio que me inquietou. É bem simples, na verdade: as meninas do colégio de smallville criaram uma espécie de suco de kriptonita que faziam as pessoas que bebesse virar obsessiva com o objeto de sua paixão. A graça do episódio é que todos os personagens que tomaram ficaram loucos e revelaram suas paixões escondidas.
Fiquei me perguntando o que aconteceria comigo se eu tomasse um copo desses. Não me levem a mal, mas nada aconteceria porque simplesmente não consigo esconder essas coisas por muito tempo. E também porque não existe ninguém. Essa é a parte inquietante. Sou capaz de viver por muito tempo sem me apaixonar. Se, por um lado te salva de momentos embaraçosos se você tomar um copo de kriptonita, por outro lado te faz ficar com essa incômoda sensação de ser uma concha vazia.
Estranhamente, é nessa parte que me identifico bastante com o Clark Kent. Porque ele não pode/quer revelar que tem superpoderes, ele se isola de tal maneira que me faz chorar em certos episódios. Ao mesmo tempo, me identifico com a Chloe, que espera eternamente que o Clark se apaixone por ela simplesmente porque ela está esperando.
Quando a Chloe bebeu o copo de kriptonita, ela enlouqueceu e fez de tudo para agradar o Clark de corpo e alma,e acabou com seu coração partido quando, no final do episódio, ele declarou que não estava apaixonado por ela (e não ficará nunca).
Quando o clark bebeu, ele não teve nenhuma reação, apenas passou mal, como uma concha vazia (e porque, né, kriptonita). Depois de um tempo ele expeliu o líquido e continuou a sofrer pela Lana.
Não existe kriptonita e nem um copo cheio dela. Mas se eu escolhesse qual das duas reações eu quero ter ao beber, eu diria que... Quero ser feliz, pode ser?
segunda-feira, 1 de julho de 2013
A Virgem ou a Vagabunda?
Isso acontece porque eu naturalmente me encaixo no papel de virgem.
Na cabeça dos homens (não me matem, é só a minha teoria) existem sempre dois tipos de mulher: a virgem e a vagabunda. A virgem é para casar. A vagabunda é para realizar suas fantasias. Para a virgem, todo o respeito. Para a vagabunda, todo o... Deixa pra lá.
Quando o homem te encaixa em alguns desses estereótipo, fica difícil sair. Isso porque eles precisam desse estereótipos para saber como te tratar. Tem homem que não sabe como tratar a mulher como uma pessoa qualquer. A mesma coisa vale na classificação de feia e bonita. Tudo bem tratar uma mulher feia mal, ela é feia. Assim como está tudo bem tratar a vagabunda como tal.
O curioso dessa história é mulher não é tudo igual, assim como homem também não o é. Se formos seguir essa classificação masculina, toda mulher é uma mistura complexa disso tudo. Na minha opinião, tem muitas atitudes femininas que não se encaixam em ambas as classificações.E tem atitudes que servem para as duas. Mas isso não quer dizer que toda mulher quer ser vagabunda ou virgem (Nelson Rodrigues, vá tomar no c*!) Ela quer ser um ser humano. E todo o ser humano tem seus problemas e complexos.
É aqui que está a origem da crise do homem: Ele não consegue mais classificar tão certinho como se classificava 50 anos atrás. Quando uma mulher toma atitude de chegar no homem, por mais que ele goste no início, ele nunca vai respeitar e assumir um compromisso sério com a mulher. Isso porque tomar iniciativa é classificado como vagabunda, logo, é muito difícil você passar a ser virgem para ele. Ainda é muito confortável encaixar a mulher nessas caixinhas. Isso serve, inclusive, para que alguns homens violentem as mulheres; se ela é vagabunda - pública, por assim dizer - não tem problema.
Esse texto é uma tentativa de dizer: Não me encaixem em nenhum desses papéis, pois eu sou e não sou os dois. Me classifiquem pelo que sou e tento ser, não por classificações pré concebidas.
Sou vagabunda e sou virgem. Não sou vagabunda e não sou virgem.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Mulher
Esse dia da mulher tem algo de especial para mim. Nesse semestre que se passou, resolvi botar a mão na massa e estudar um pouco da história das mulheres em uma matéria que peguei. Em tese, a matéria seria sobre a história do gênero, mas história do gênero sempre é história das mulheres porque história do homem é a história que já estou a 3 anos estudando na unb.
Toda história que se foca em um objeto, por mais amplo que seja, converge para uma questão central de maior impacto. Por exemplo, o Brasil quer descobrir até hoje porque estamos no subdesenvolvimento/na desigualdade social. A frança quer entender a revolução francesa. A alemã, o nazismo. Portugal quer entender porque eles não são mais um império como foi no século XVI (hahaha)
A questão central na história das mulheres é porque os movimentos femininos não dão certo e desvanecem no tempo. É como se eles fossem auto-resetáveis: acontecem em um contexto específico e somem. O próximo movimento raramente lembrará do anterior, ou pelo menos não terá as características do anterior.é difícil conseguir quaisquer conquista desse jeito. Sem falar nos movimentos misturados: feminismo e democracia, a prioridade é a democracia. Feminismo e socialismo, a prioridade é a revolução.
Apesar de tudo, conquistamos várias coisas. Direito ao voto, direito (relativo) ao ir e vir e etc. Como isso ocorreu? Por um processo evolutivo onde necessariamente iríamos ganhar esses diretos? Não mesmo. Se deixássemos, nada disso iria acontecer.
Esses direitos foram conquistados por algumas mulheres, mas, principalmente, foram passados de geração a geração por cada uma de nós. Longe de ser algo organizado, esses pequenos atos foram aos poucos (aos muito poucos) permanecendo no tempo. É pelo esforço de cada uma que essa vida atual é possível.
Nesse dia das mulheres queria desejar parabéns para todas as mulheres e pedir para cada uma que não esqueça. Não esqueça de que você é uma mulher. Isso significa tanta coisa. Mas acima de tudo, isso significa que você é um ser humano. E tem direto a tudo que um ser humano tem direto: amor, respeito e dignidade.
terça-feira, 5 de março de 2013
Solidão
Se você, como eu, tem muita coisa para fazer mas mesmo assim prefere dedicar seu tempo à filosofia de boteco, já deve ter se perguntado qual é a pior coisa que pode acontecer e que assombra o ser humano. A morte certamente ocupa um papel de destaque, mas não considero tão assustador assim porque tenho uma religião que acredita em vida após a morte. A morte perde toda a graça.
Em segundo lugar eu chutaria a deficiência física. Quem não tem medo de ficar cego, ou paraplégico? Mas esse medo é pouco diante do monstro que é a solidão.
O medo de ficar sozinho motiva práticas drásticas nos seres humanos. Quantas pessoas não morrerem em um término de namoro porque a outra não aceitava ficar sozinha? Quantas humilhações uma pessoas aceita na vida por acreditar que aquela é a sua única chance de ficar com alguém? Até o próprio medo de ter alguma deficiência vem embutido com o medo de ser excluído. A própria psicologia diz que todo o ser humano precisa de vínculos afetivos para viver. Isso é, viver bem, no sentido de realizar todas as suas capacidades como ser humano. Por isso há esse medo todo.
É um medo tão grande e, de certa forma instintivo, que a solidão não costuma ser bem vendida. Vender uma história de amor é fácil, vender uma tragédia de sangue e desespero é fácil, mas vender a solidão, aquela solidão chata, aquela certeza de que você ficará sozinho para o futuro e para sempre é difícil. Ninguém quer saber de alguém que viveu sozinho. Quer saber de alguém que, no mínimo, tentou ter relações com alguém.
Deve ser porque não vende que ela está mal representada nas artes. Me parece que só há amor e terror nos livros, filmes e etc. A solidão só aparece em poucas doses, pois em quantidade grande não deixa esperança nenhuma.
sábado, 12 de janeiro de 2013
As Lágrimas da Professora
Agora, sentem que lá vem a história...
Estava eu entediada (tá, nem tanto, teorias psicológicas são interessantes, mas Jean Piaget já deu u.u) na aula de psicologia da educação quando a professora, no meio de suas divagações, menciona que, certo dia, ela encontrou uma ex-aluna dela na rua. Essa aluna veio muito feliz e animada falar com ela, com um sorriso enorme. Acontece que essa menina estava no conic carregando a famosa placa "compro/vendo ouro", ou seja, ela estava trabalhando nesse ramo. A professora recebeu a menina muito entusiasmada, mas ao contar essa história, ela começou a chorar. Para ela, a menina teria fracassado na vida, já que ela era uma estudante da unb que (aparentemente) só tinha conseguido vender/comprar ouro na vida.
Morri de dó da professora, mas pensei comigo que suas lágrimas não eram tão justificáveis assim. No Brasil e na cultura ibérica no geral, existe uma desvalorização generalizada do trabalho braçal. Para vocês terem uma idéia, na idade média ibérica, você não poderia ter nenhum título se você ou qualquer antepassado seu tivesse o que eles chamavam de "defeito mecânico": trabalhar manualmente. Eu acredito que todas sociedades não gostam de trabalhar, em maior ou menor grau. No Brasil é em maior grau, definitivamente.
Outro exemplo: quando eu estava no ensino médio, e e meus amigos queríamos trabalhar nas férias para ganhar uma grana. O que eu ouvi de amigos meus dizendo que seus pais não deixaram eles trabalharem porque não estava faltando nada para eles não está nos gibis. A minha mãe, por ser parte de uma religião que prega o trabalho como forma de evolução só me falou "vá em frente"
As lágrimas da professora foram tão justificáveis assim? Só porque a sua aluna estava em um trabalho braçal era motivo de choro? A professora não deu detalhes sobre a situação em que a menina de fato se encontrava, mas o que tinha de tão ruim no trabalho da menina? Sei que, se eu fosse professora e visse algum aluno meu nessa situação a frustração seria grande. Mas tenho a impressão de que essas lágrimas representavam mais a dó da menina fazendo o trabalho braçal do que a dó de ela ter tido a oportunidade e desperdiçado.
Portanto, leitores, vamos deixar de arrogância e preguiça e vamos trabalhar, não importa o tipo de trabalho. O ano só está começando =D
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
O Feminismo Sádico
Esse dias me deparei com um fenômeno curioso. Estava eu na sala de aula, em uma matéria de educação qualquer quando a professora, por algum propósito qualquer, começou a contar a história de uma mulher que nasceu em algum contexto muçulmano. (realmente não consigo lembrar onde... mas é um daqueles lugares que se você nasceu mulher, ferrou)
Essa história estava presente na dissertação de uma professora da psicologia, que queria abordar o contexto da prisões femininas em países mulçumanos. Chamou à atenção dessa psicóloga que uma determinada presidiária não conversava jamais. É claro que a psicóloga foi atrás da história dela.
Era uma vez uma menina muçulmana que foi vendida para um marido muito mais velho. Naturalmente, ela sofreu alguns maus— tratos por parte do marido idoso. Quando ela era adolescente, para sua sorte (azar?) Seu marido morreu. Sem eira nem beira, foi para a cidade procurar emprego. Mas o único que "encontrou" foi o de prostituta. Entanto trabalhava, ela encontrou um companheiro com quem foi morar. A coisa desandou quando ela resolveu expressar o desejo de infância de aprender a ler para o novo companheiro. Ele a expulsou de casa e ela voltou a trabalhar. Daí um tempo, ela virou cafetina e arrumou um sócio e amante. Expressar o desejo de aprender a escrever e ler também não foi benéfico para a relação dos dois. O amante resolveu limpar a conta conjunta que eles tinham e dar o fora. Mas antes que ele de fato fugisse, ela apareceu em casa exigindo o dinheiro de volta. Quando ele disse não ela atirou nele com a arma que havia trazido para o encontro.
Quando a professora terminou de contar essa história, ela achou por bem acrescentar: "isso não significa que vocês têm que atirar em outra pessoa. Estou vendo alguma meninas sorrirem... Esse não é o caminho!" O curioso é que, sem perceber, eu estava sorrindo também. Eu achava que era só eu que, às vezes, sentia esse feminismo sádico brotar em mim. Afinal, tem coisa melhor do que ver um babaca machista se dar mal no final?
Essa história ilustra o que eu chamo de rumos errados que o feminismo por vezes toma. Decisões que parecem beneficiar e retificar a independência da mulher e que na verdade só deixa mais responsabilidades nas costas delas.
Portanto meninas, vamos parar de sorrir diante da morte alheia, por mais babaca que o morto fosse.
domingo, 18 de novembro de 2012
O Leonardo da Vinci Charlatão
Há algum tempo li O Código da Vinci. Além de ser um bom livro, levantou algumas "polêmicas" sobre Jesus e o próprio Leonardo da Vinci. Para minha surpresa, ele entrou na lista de mais vendidos do mundo por tocar em uma espécie de "ferida" da Igreja católica ao dizer que Jesus teve filhos com Maria Madalena. Na minha opinião, realmente não interessa se ele teve descendentes ou não, até porque é impossível provar isso de forma satifatória. Afinal, qual é a dificuldade de aceitar que um homem não se casou há anos atrás?
Diante desse cenário surge o Leonardo. De acordo com esse livro, o cara era um gênio que chegava perto de Deus. Quem mais teria o poder de descobrir com quem Jesus dorme ou deixa de dormir? Mas essa genialidade parece surgir porque ele viveu em um dos top 5 dos tempos legais: o renascimento. No renascimento, o povo era tão foda e inteligente que nós, pobres historiadores do presente, não conseguiríamos descobrir todos os mistérios e conhecimentos que eles descobriram alguns séculos atrás sem a nossa tecnologia avançada.
Eu sei que o livro é uma ficção, mas a questão é que isso acontece com frequência. O peso da tradição é enorme, e às vezes vira um fardo. Várias vezes já vi pessoas argumentarem que "isso é certo porque é antigo" como se os antigos não errasem. Como se eles não fossem humanos como nós do século XXI.
Por isso é importante nós não nos deixarmos levar por uma argumentação que diz "foi sempre assim" porque têm coisas que foram sempre assim mas precisam ser mudadas. Olhar para história é importante mas não deve ser definidora de tudo.
Portanto, parem de dar tanto crédito ao Leonardo da Vinci porque ele foi apenas um ser humano. Genial, claro, mas mesmo assim um reles mortal. Atribuir essas coisas sobrenaturais a ele só me faz pensar nele como um grande charlatão.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Sobre o Narcisismo de uma nação
Eu até entendo a fascinação, sou fascinada por italiano. Mas o que muitas pessoas não sabem é que francês é uma nação muito narcisista. Isso mesmo. Eles só olham para o própio umbigo na hora de elaborar um livro de francês.
Você deve estar pensando: mas é óbvio que sim, aprender uma língua é aprender sobre uma cultura, portanto, é necessário que eles elaborem e falem bastante da própria cultura no livro de francês.
Mas o caso francês chega a níveis irritantes. Não é como os britânicos que variam bastante os assuntos e lugares, apesar de todas as reportagens do livro serem da BBC. Não é como os espanhóis que têm uma fascinação estranha "por los trenes", mas mesmo assim variam os lugares abordados no livro.
Agora no livro de francês não. O lugar sempre é o mesmo: Paris. Os restaurantes de Paris. A arquitetura de Paris. O trânsito de Paris. O problema do álcool no trânsito... de Paris! E quando não é sobre Paris é sobre qualquer lugar que fale francês, já que eles fazem questão de lembrar ao mundo que eles já colonizaram outras partes do mundo.
Antes de começar a aprender francês, carro leitor, sugiro que você vá preparado ou pelo menos bastante fascinado por esta nação narcisista, porque eu já enjoei.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Como (Não) Entender a Ásia
Isso parece óbvio para nós hoje em dia. Aplicar teorias ocidentais e tentar encaixar na Ásia nunca ia dar certo. Mas para o passado e o eurocentrismo, dava certo sim. O problema era que X coisa acontecia, por isso eles eram desse jeito. E dessa falta de entendimento surgia várias teorias mirabolantes, uma mais engraçada que a outra, mas o pior de tudo: cada juízo de valor mais absurdo do que o outro.
Por exemplo, Montesquieu (do século XVIII) dizia que seus princípios acerca da monarquia não deram certo na China porque havia alguma coisa no ambiente físico que produzia prodígios para a nação chinesa. Ja imaginou, chineses inteligentes brotando da terra?
J. S. Mill (século XIV) dizia que uma nação, quando estabelecida, criava características próprias. A Ásia, por sua vez, continhas as nações mais invejosas já vistas. Para ele, no fundo no fundo a Ásia queria ser o ocidente. Arrogância e eurocentrismo passaram longe... só que não. (o que é realmente uma pena, gosto muito dele)
O famoso Marx tentou explicar o modo de produção lá chamando de modo de produção asiático. Como diz o meu professor, ele inventou isso porque de verdade nunca entendeu como funcionava. Acho que a "dominação" extrema exercida pelo governo da China o deixou pasmado.
Em outras palavras, nenhum ocidental (tá, nenhum que eu tenha lido) conseguiu realmente entender a Ásia. Mais do que isso, a forma como o senso comum vê a Ásia foi a mesma forma com que os Romanos viam há dois mil anos atrás: Ásiáticos são inteligentes, mas muito estranhos e cruéis.
Agora com o PSY bombando nas paradas com o Gangnam Style e o maior contato que as pessoas terão, elas ( e eu) vão continuar não entendendo a Ásia do mesmo jeito.
Porque você estudou a Revolução Francesa? Algumas Considerações sobre a Coreia
Ano passado, tive aulas particulares de coreano. A experiência foi boa não pelo coreano em si, mas sim pelo contato com uma pessoa do outro lado do mundo. Das muitas conversas que tivemos, a que mais me impressionou foi sobre o processo do DBSK (Dong Bang Shin Ki), um grupo de kpop com vozes divinas que estavam se separando.
Para quem não sabe, aí vai um breve histórico da briga: o DBSK debutou em 2003, mas foi em 2009 que três dos cinco membros entraram com um processo contra a SM (a empresa que agenciou/criou eles) pedindo uma revisão no contrato. Isso é muito comum no mundo Kpop; as empresas fabricam artificialmente os grupos de musica pop, com algumas excessões - o que não torna todos os grupos ruins. Enfim, o contrato revelou-se um ultraje até mesmo aos direitos humanos. (tá, brincadeira, mas na época fiquei revoltada) Para quem está com preguiça de ler o artigo aí vai uma amostra: além da absurda duração de 13 anos, se o grupo não vendesse mais de 500 mil cópias de seus álbuns, eles não teriam direito a nada dos lucros!
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| Da esquerda para a direita: O trio Junsu, Yochun, Jaejoong e a dupla que ficou Changmin e Yunho. |
Diante disso, lá fui eu perguntar sobre o caso para a minha professora coreana: "você acha que o trio vai conseguir fazer sucesso?" a resposta dela foi um olhar de piedade para mim e um não. Para ela, a SM é uma empresa de tal tamanho e influência que iria sufocar qualquer tentativa dos três de voltarem à industria fonográfica. Mas porquê os dois membros ainda ficaram na empresa diante desse contrato absurdo? eu perguntei. "por honra" ela me respondeu. E para ela isso explicou tudo.
De fato, daí para a frente a SM fez de tudo para impedir a aparição do trio, (que passou a se chamar JYJ) começando a impedir a aparição deles em estatísticas em vendas de albuns até embargando, apesar da decisão contrária da corte de justiça, a participação deles em programas nos principais canais coreanos.
Ao meu ver, a reação da minha professora demonstra a importância de uma revolução francesa assim como a importância de se entender os fatos históricos. Na revolução francesa, aconteceu de um grupo estar insatisfeito com alguma coisa e se revoltar por isso. Apesar das muitas mortes que isso acasionou, houve também benefícios. Não necessariamente para as primeiras gerações, mas para o futuro. Em suma, é o pensamento de acreditar que se pode mudar algo na vida, não importa o tamanho do obstáculo a se superar.
Minha professora não teve, na sua história asiática, algo parecido com a revolução francesa. E se teve eu ignoro, já que na biblioteca da unb só existem livros de história geral da ásia, nunca nada específico. Ela não acreditou que alguém poderia vencer a SM em um processo, assim como os revoltosos não acreditaram que poderiam de fato derrubar a coroa francesa. E, de fato, nunca foi intenção do JYJ se separar da SM assim como nunca foi a intenção dos revoltosos derrubar a monarquia. Depois dos acontecimentos, houve até uma tentativa de congresso de Viena à la coreana. No final das contas, todos os outros grupos acabaram sendo beneficiados com essa briga, pois tiveram seus contratos revisados, do jeito que o trio queria desde o começo. Mas como eles são, agora, o símbolo da "revolução coreana", são eles que pagam o sapo inteiro.
Para vocês verem, há uma utilidade para a história. Acreditar no que pareceu impossível é parte da nossa história. Essa história, de uma forma ou de outra, constrói o nosso futuro. Ou pelo menos assim espero, de outra forma estarei desempregada quando me formar ahahahaha =D
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Sobre o Bullying e a Pressão social
Por exemplo, no filme alemão A Onda, um professor resolve explicar o que é uma autocracia. Ele monta um grupo que se chama "A Onda". O grupo se une e cria símbolos e lemas de tal forma que a coisa sai do controle. O interessante é que na cena final, quando um garoto aponta uma arma para todos por não admitir o fim da onda, o professor tenta mostrar que a onda está fora de controle, mostrando o absurdo que era usar a violência com os que estavam fora do grupo. Para mim, o mais interessante foi que ninguém, em nenhum momento, se perguntou: para quê serve a onda? qual o fim útil? os alunos apenas aceitavam a onda como fim por si mesmo.
Duas coisas dá para concluir desse filme: disciplina e o sentimento de pertencer a um grupo são coisas necessárias na vida de um ser humano que vive em sociedade. Mas como já dizia a minha avó, tudo em excesso faz mal. É por isso que vejo esses grupos assustadores e o bullying como complementos: de um lado, há uma pessoa pertencendo "tanto" a um grupo que faz besteira. Do outro, esse mesmo grupo não aceita determinada pessoa e faz besteira do mesmo jeito.
Desde que me entendo por gente, sempre odiei bullying. A ideia de alguém excluir um outro por causa dos óculos ou por causa da massa corporal me tirava do sério. Tanto que já fui chamada (ironicamente) de defensora dos mais fracos. Na época, aceitei o título com um sorriso no rosto, apesar de ficar com um pé atrás.
Quando eu estava no ensino médio, eu gostava de RBD. Isso mesmo, você leu certo. Rebelde. O original Mexicano. Tenho todos os CDs até hoje. Acontece que as pessoas, na época, olhavam com cinismo para a banda e os fãs. Em parte porque há uma rejeição da cultura latina no Brasil: brasileiro não gosta de lembrar que faz parte da latinidade, com todas aquelas novelas dramáticas. Me fazia muito feliz gostar deles, e eu não me importava nem um pouco com a incredulidade das pessoas quando descobriam que eu gostava de um grupo tão infantil quanto eles.
Mas onde você quer chegar, Ana Elisa? Qual é a relação entre Bullying, A onda, RBD... Já chego lá. Na minha época de fangirl, uma amiga minha me apresentou um garoto. Ele foi muito educado e tudo o mais, mas quando ficou a sós com ele, ele expressou sua opinião sobre o meu perfil do orkut. "Ela gosta de RBD!" ele se admirou. "é muito infantil". E foi assim que perdi um potencial namorado. Por gostar de uma banda. Uma banda que, por convenção social e pressão de muitos grupos na época, era ridícula.
Não nego que havia muitas fãs doidas e também tenho várias críticas acerca da banda. Mas esse garoto nem se deu ao trabalho de conversar comigo para ver se eu realmente era aquilo que ele falou. É por isso que, mais um vez, a pressão social me assusta. Esse menino não pensou por conta própria, ele apenas seguiu a maioria. Na época fiquei mal, até que comecei a me afastar de coisas relacionadas à banda. Foi a defensora dos mais fracos enfraquecendo.
Ultimamente, parece que é isso que vem acontecendo comigo. Eu calo a minha opinião só para não me indispor com outros e continuar a fazer parte de um grupo. Relembrar da época do RBD foi relembrar da época em que a pressão social não funcionava comigo, eu fazia o que era certo. E não admitia bullying.
É por isso que continuo a gostar de RBD: por não permitir que a pressão social tire de mim algo que me agradou.
Afinal de contas, a sociedade funcionaria melhor se não cedessemos às pressões sociais, expressássemos nossa opinião e não admitíssemos qualquer tipo de ofensa a alguém que (aparetemente) não consegue se proteger.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
O começo
Hoje tive a prova de fogo. Há tempos tenho que entregar um trabalho muito trabalhoso (=P) que exigia tempo e estresse de mim. Tempo e estresse que deixei de lado durante a greve. Resultado: eu não tinha absolutamente nada de produtivo para entregar ao meu professor. Agora com a minha nova resolução, resolvi "soltar a corda", como diz o meu irmão: eu estava determinada a trancar a matéria e dedicar o tempo necessário ano que vem. Covarde do jeito que sou, não tive coragem de trancar a matéria, então o trabalho ficou feito nas coxas. Mas a resolução ainda estava de pé; eu realmente soltei essa corda. Não estava me importando nem um pouco com a nota baixa do trabalho (que ainda virá).
Acontece que, quando cheguei em casa e abri meu email, vi uma mensagem do meu professor me pedindo que fosse ajudá-lo com a prova, já que sou sua monitora. Devo acrescentar aqui que meus deveres como monitora são limitados. A não ser que meu professor realmente esteja precisando de ajuda, ele quase não me chama. É o sonho de muitos monitores por aí. Então, a prova passou, eu não olhei meu email e a consciência pesou. Pesou porque eu tinha tomado para mim mesma como obrigação aparecer quando tinha prova, já que quase sempre tinha algo a se fazer pela aula. Mas, por causa do meu trabalho feito pelas coxas, eu me esqueci. E ficaria tudo bem se eu não lesse o email e soubesse que realmente precisavam de mim lá. Fiquei tão mal que me pergunto se eu não estava acumulando pesos na consciência e, no menor deslize, tudo se juntou e desabou sobre mim. Parece que, no final das contas, eu apenas joguei o peso na consciência de lado temporariamente.
Esta história não tem moral da história, mas me mostra que tudo começa com uma mudança, uma resolução, uma esperança. E é assim que desejo começar esse blog.






