terça-feira, 4 de março de 2014

A Arte de Ficar Sozinha

Não é segredo que eu, como a maioria das pessoas, tenho medo de ficar só (uma boa pista é a postagem só sobre isso). Mas, por algum motivo, fico muito bem quando todos viajam e tenho que ficar sozinha; muitas vezes, acho até reconfortante. Tenho o tipo de personalidade que precisa morgar em uma casa vazia de vez em quando.
Até hoje, nunca parei para pensar como eu faço isso se, para muita gente, estar sozinha por 1 hora já é muito. E eu, com a minha incrível capacidade de julgar essas pessoas, nunca consegui entender. Como dizia a frase mais famosa da série Lost: "Live together, Die alone" (viva junto, morra sozinho). Todos vamos acabar sós mesmo, não tem porquê se desesperar. Podemos tentar viver juntos, mas no fim morreremos sozinhos. Enfim, eu não sabia como eu fazia isso e, para falar a verdade, me sentia um pouco Dexter toda vez que falava com alguém e ninguém se identificava comigo.
Hoje bateu a filosofia da questão: numa linda tarde de terça-feira de carnaval, quando deu 13 horas da tarde eu não conseguia mais ficar sozinha. Liguei a TV, escutei "Total Eclipse of the Heart" até dizer chega, lamentei pela minha audição e até contei os zumbidos irritantes que não me deixam esquecer que estou ficando surda (foi uns 4, depois perdi a paciência de contar), fiquei olhando pela janela tentando encontrar um motivo para sair de casa mas lembrei que feriado não tem nada aberto, desisti.
Eu havia desaprendido a ficar sozinha. Deveria ter tomado notas, escrito em algum lugar como se faz ou simplesmente ter planejado alguma coisa que preenchesse todos os dias como eu faço obsessivamente. Depois de tentar contato com algum ser humano, desliguei o computador, a televisão e comecei a olhar para o nada, em busca de alguma coisa. Não me entendam mal, ainda tenho muito o que fazer, terminar um "personal statement" que deixei na metade e uma resenha crítica para mono, sem falar na casa. Mas sentar no sofá sozinha e perceber que eu não ia conseguir ficar mais sozinha a partir daquele momento me derrubou. Eu, que sempre critiquei pessoas carentes e dependentes, acabava de me tornar uma (P.S.: não julgar)
Essa história não teve um final feliz, por assim dizer. A noite chegou, a crise passou mas não consegui falar com qualquer alma viva. O final feliz dessa história é esse texto e a sua conclusão.
Concluí que não tenho a dinâmica do Dexter, apesar de sombriamente me identificar com muitas coisas que ele diz. Concluí que sou mesmo muito julgadora e que devia parar com isso. E o mais importante: eu fui arrogante ao achar que dominava a arte de ficar sozinha. Isso nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Eu só fui esperta o suficiente para ocupar os meus dias de forma que eu não precise ficar comigo mesma. Quando era na UnB, fazia questão de ter aulas juntas e sem janelas, sempre com música. Quando em casa, me entupir de livros, filmes, novelas e seriados.
Tenho que re-aprender a ficar sozinha de novo, do contrário as coisas podem desandar. Coisas simples, como, por exemplo, a vida.

3 comentários:

  1. Parece q não sou a única q estava passando por essa situação...
    Ana, tantas vezes nós vemos tanta coisa errada no mundo, tantas vezes nós gostaríamos que aparecesse alguém que pudesse mudar as coisas... Uma pessoa que seria "perfeita" na nossa concepção... Essa poderia ser forte e destemida, alguém que luta por ideais, que tenta fazer tudo certo, ou ao menos uma pessoa diferente do que somos... Desejamos tanto isso, que inconscientemente sentimos vergonha do que somos, não podemos mais conviver com a gente mesmo... Talvez não seja por nada heróico, mas quem sabe por aquele sonho d infância que não conseguimos conquistar ou chegar perto disso... Como se encarar no espelho sabendo que somos incapazes de conquistar qualquer coisa mínima que seja e que sonhamos em conseguir? Como sentir orgulho de si mesmo se vc se tornou uma pessoa que você não admira? Até quando vamos julgar a nós mesmos por algo que acreditamos ser o certo e não pelo que realmente somos?
    Que tipo de pessoa eu gostaria de ter próxima de mim? Com quem me sentiria à vontade e até mesmo motivada? Por que eu não posso ser essa pessoa?
    A vida é uma constante busca de completude, então procuramos à nossa volta e esquecemos que podemos nos torna algo e alguém que nos completa... Que nos deixa à vontade.
    Sejamos o que somos, percebamos o tamanho da nossa própria força e dentro das nossas limitações sejamos o nosso melhor, tenhamos orgulho do que somos e do que tentamos... Que olhemos pra nós mesmos e possamos sorrir porque tentamos... E no dia de amanhã tentaremos de novo... E mesmo que não conquistemos exatamente o que queríamos, a gente poderá dizer de cabeça erguida que demos o melhor, agimos e o silêncio apenas era nosso aliado enquanto fazíamos planos, pensávamos na melhor forma de executá-lo e pudemos, nesse momento, sentir o sabor das boas lembranças dos nosso feitos.

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    1. Por favor, apareça sempre para deixar seu testemunho Amanda!
      Tudo isso que você disse é uma lição para a vida, e justamente por isso é tão difícil de lembrar. Sermos o que somos é um caminho a percorrer na vida, é algo que se deve tentar no dia a dia. Mas nem sempre esse caminho é reto, ou pelo menos claro, pois sempre estamos tentando nos redefinir e trilhar esse caminho escolhido. Não é fácil não, mas como você disse, o importante é saber que fizemos o nosso melhor =D

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  2. Foi mal pelo quase testamento... Acho que empolguei
    XP

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