Se você, como eu, tem muita coisa para fazer mas mesmo assim prefere dedicar seu tempo à filosofia de boteco, já deve ter se perguntado qual é a pior coisa que pode acontecer e que assombra o ser humano. A morte certamente ocupa um papel de destaque, mas não considero tão assustador assim porque tenho uma religião que acredita em vida após a morte. A morte perde toda a graça.
Em segundo lugar eu chutaria a deficiência física. Quem não tem medo de ficar cego, ou paraplégico? Mas esse medo é pouco diante do monstro que é a solidão.
O medo de ficar sozinho motiva práticas drásticas nos seres humanos. Quantas pessoas não morrerem em um término de namoro porque a outra não aceitava ficar sozinha? Quantas humilhações uma pessoas aceita na vida por acreditar que aquela é a sua única chance de ficar com alguém? Até o próprio medo de ter alguma deficiência vem embutido com o medo de ser excluído. A própria psicologia diz que todo o ser humano precisa de vínculos afetivos para viver. Isso é, viver bem, no sentido de realizar todas as suas capacidades como ser humano. Por isso há esse medo todo.
É um medo tão grande e, de certa forma instintivo, que a solidão não costuma ser bem vendida. Vender uma história de amor é fácil, vender uma tragédia de sangue e desespero é fácil, mas vender a solidão, aquela solidão chata, aquela certeza de que você ficará sozinho para o futuro e para sempre é difícil. Ninguém quer saber de alguém que viveu sozinho. Quer saber de alguém que, no mínimo, tentou ter relações com alguém.
Deve ser porque não vende que ela está mal representada nas artes. Me parece que só há amor e terror nos livros, filmes e etc. A solidão só aparece em poucas doses, pois em quantidade grande não deixa esperança nenhuma.
terça-feira, 5 de março de 2013
Solidão
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