quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sobre o Bullying e a Pressão social

Psicologia de massas é algo assustador. Não que eu saiba muito sobre isso, mas a ideia simples de que um grupo de humanos pode me levar a fazer coisas que, se eu pensasse bem, não faria, é assustadora. Existem alguns fenômenos assim na história, onde pessoas se juntam em grupos e não questionam as ações do grupo.

Por exemplo, no filme alemão A Onda, um professor resolve explicar o que é uma autocracia. Ele monta um grupo que se chama "A Onda". O grupo se une e cria símbolos e lemas de tal forma que a coisa sai do controle. O interessante é que na cena final, quando um garoto aponta uma arma para todos por não admitir o fim da onda, o professor tenta mostrar que a onda está fora de controle, mostrando o absurdo que era usar a violência com os que estavam fora do grupo. Para mim, o mais interessante foi que ninguém, em nenhum momento, se perguntou: para quê serve a onda? qual o fim útil? os alunos apenas aceitavam a onda como fim por si mesmo.

Duas coisas dá para concluir desse filme: disciplina e o sentimento de pertencer a um grupo são coisas necessárias na vida de um ser humano que vive em sociedade. Mas como já dizia a minha avó, tudo em excesso faz mal. É por isso que vejo esses grupos assustadores e o bullying como complementos: de um lado, há uma pessoa pertencendo "tanto" a um grupo que faz besteira. Do outro, esse mesmo grupo não aceita determinada pessoa e faz besteira do mesmo jeito.

Desde que me entendo por gente, sempre odiei bullying. A ideia de alguém excluir um outro por causa dos óculos ou por causa da massa corporal me tirava do sério. Tanto que já fui chamada (ironicamente) de defensora dos mais fracos. Na época, aceitei o título com um sorriso no rosto, apesar de ficar com um pé atrás.

Quando eu estava no ensino médio, eu gostava de RBD. Isso mesmo, você leu certo. Rebelde. O original Mexicano. Tenho todos os CDs até hoje. Acontece que as pessoas, na época, olhavam com cinismo para a banda e os fãs. Em parte porque há uma rejeição da cultura latina no Brasil: brasileiro não gosta de lembrar que faz parte da latinidade, com todas aquelas novelas dramáticas. Me fazia muito feliz gostar deles, e eu não me importava nem um pouco com a incredulidade das pessoas quando descobriam que eu gostava de um grupo tão infantil quanto eles.

Mas onde você quer chegar, Ana Elisa? Qual é a relação entre Bullying, A onda, RBD... Já chego lá. Na minha época de fangirl, uma amiga minha me apresentou um garoto. Ele foi muito educado e tudo o mais, mas quando ficou a sós com ele, ele expressou sua opinião sobre o meu perfil do orkut. "Ela gosta de RBD!" ele se admirou. "é muito infantil". E foi assim que perdi um potencial namorado. Por gostar de uma banda. Uma banda que, por convenção social e pressão de muitos grupos na época, era ridícula.

Não nego que havia muitas fãs doidas e também tenho várias críticas acerca da banda. Mas esse garoto nem se deu ao trabalho de conversar comigo para ver se eu realmente era aquilo que ele falou. É por isso que, mais um vez, a pressão social me assusta. Esse menino não pensou por conta própria, ele apenas seguiu a maioria. Na época fiquei mal, até que comecei a me afastar de coisas relacionadas à banda. Foi a defensora dos mais fracos enfraquecendo.

Ultimamente, parece que é isso que vem acontecendo comigo. Eu calo a minha opinião só para não me indispor com outros e continuar a fazer parte de um grupo. Relembrar da época do RBD foi relembrar da época em que a pressão social não funcionava comigo, eu fazia o que era certo. E não admitia bullying.

É por isso que continuo a gostar de RBD: por não permitir que a pressão social tire de mim algo que me agradou.

Afinal de contas, a sociedade funcionaria melhor se não cedessemos às pressões sociais, expressássemos nossa opinião e não admitíssemos qualquer tipo de ofensa a alguém que (aparetemente) não consegue se proteger.

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