Em minha jornada nas matérias de história moderna e afins, de vez em quando topo com alguns autores discorrendo sobre o governo da Ásia, principalmente na China, nos séculos XVII e por aí em diante. O que mais me chama atenção é que nenhum dos autores (com excessão, talvez, de Weber) consegue entender realmente o que é (foi) a monarquia da Ásia. Isso porque nenhuma teoria ocidental se aplica ao caso chinês/asiático.
Isso parece óbvio para nós hoje em dia. Aplicar teorias ocidentais e tentar encaixar na Ásia nunca ia dar certo. Mas para o passado e o eurocentrismo, dava certo sim. O problema era que X coisa acontecia, por isso eles eram desse jeito. E dessa falta de entendimento surgia várias teorias mirabolantes, uma mais engraçada que a outra, mas o pior de tudo: cada juízo de valor mais absurdo do que o outro.
Por exemplo, Montesquieu (do século XVIII) dizia que seus princípios acerca da monarquia não deram certo na China porque havia alguma coisa no ambiente físico que produzia prodígios para a nação chinesa. Ja imaginou, chineses inteligentes brotando da terra?
J. S. Mill (século XIV) dizia que uma nação, quando estabelecida, criava características próprias. A Ásia, por sua vez, continhas as nações mais invejosas já vistas. Para ele, no fundo no fundo a Ásia queria ser o ocidente. Arrogância e eurocentrismo passaram longe... só que não. (o que é realmente uma pena, gosto muito dele)
O famoso Marx tentou explicar o modo de produção lá chamando de modo de produção asiático. Como diz o meu professor, ele inventou isso porque de verdade nunca entendeu como funcionava. Acho que a "dominação" extrema exercida pelo governo da China o deixou pasmado.
Em outras palavras, nenhum ocidental (tá, nenhum que eu tenha lido) conseguiu realmente entender a Ásia. Mais do que isso, a forma como o senso comum vê a Ásia foi a mesma forma com que os Romanos viam há dois mil anos atrás: Ásiáticos são inteligentes, mas muito estranhos e cruéis.
Agora com o PSY bombando nas paradas com o Gangnam Style e o maior contato que as pessoas terão, elas ( e eu) vão continuar não entendendo a Ásia do mesmo jeito.
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