Esse dia da mulher tem algo de especial para mim. Nesse semestre que se passou, resolvi botar a mão na massa e estudar um pouco da história das mulheres em uma matéria que peguei. Em tese, a matéria seria sobre a história do gênero, mas história do gênero sempre é história das mulheres porque história do homem é a história que já estou a 3 anos estudando na unb.
Toda história que se foca em um objeto, por mais amplo que seja, converge para uma questão central de maior impacto. Por exemplo, o Brasil quer descobrir até hoje porque estamos no subdesenvolvimento/na desigualdade social. A frança quer entender a revolução francesa. A alemã, o nazismo. Portugal quer entender porque eles não são mais um império como foi no século XVI (hahaha)
A questão central na história das mulheres é porque os movimentos femininos não dão certo e desvanecem no tempo. É como se eles fossem auto-resetáveis: acontecem em um contexto específico e somem. O próximo movimento raramente lembrará do anterior, ou pelo menos não terá as características do anterior.é difícil conseguir quaisquer conquista desse jeito. Sem falar nos movimentos misturados: feminismo e democracia, a prioridade é a democracia. Feminismo e socialismo, a prioridade é a revolução.
Apesar de tudo, conquistamos várias coisas. Direito ao voto, direito (relativo) ao ir e vir e etc. Como isso ocorreu? Por um processo evolutivo onde necessariamente iríamos ganhar esses diretos? Não mesmo. Se deixássemos, nada disso iria acontecer.
Esses direitos foram conquistados por algumas mulheres, mas, principalmente, foram passados de geração a geração por cada uma de nós. Longe de ser algo organizado, esses pequenos atos foram aos poucos (aos muito poucos) permanecendo no tempo. É pelo esforço de cada uma que essa vida atual é possível.
Nesse dia das mulheres queria desejar parabéns para todas as mulheres e pedir para cada uma que não esqueça. Não esqueça de que você é uma mulher. Isso significa tanta coisa. Mas acima de tudo, isso significa que você é um ser humano. E tem direto a tudo que um ser humano tem direto: amor, respeito e dignidade.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Mulher
terça-feira, 5 de março de 2013
Solidão
Se você, como eu, tem muita coisa para fazer mas mesmo assim prefere dedicar seu tempo à filosofia de boteco, já deve ter se perguntado qual é a pior coisa que pode acontecer e que assombra o ser humano. A morte certamente ocupa um papel de destaque, mas não considero tão assustador assim porque tenho uma religião que acredita em vida após a morte. A morte perde toda a graça.
Em segundo lugar eu chutaria a deficiência física. Quem não tem medo de ficar cego, ou paraplégico? Mas esse medo é pouco diante do monstro que é a solidão.
O medo de ficar sozinho motiva práticas drásticas nos seres humanos. Quantas pessoas não morrerem em um término de namoro porque a outra não aceitava ficar sozinha? Quantas humilhações uma pessoas aceita na vida por acreditar que aquela é a sua única chance de ficar com alguém? Até o próprio medo de ter alguma deficiência vem embutido com o medo de ser excluído. A própria psicologia diz que todo o ser humano precisa de vínculos afetivos para viver. Isso é, viver bem, no sentido de realizar todas as suas capacidades como ser humano. Por isso há esse medo todo.
É um medo tão grande e, de certa forma instintivo, que a solidão não costuma ser bem vendida. Vender uma história de amor é fácil, vender uma tragédia de sangue e desespero é fácil, mas vender a solidão, aquela solidão chata, aquela certeza de que você ficará sozinho para o futuro e para sempre é difícil. Ninguém quer saber de alguém que viveu sozinho. Quer saber de alguém que, no mínimo, tentou ter relações com alguém.
Deve ser porque não vende que ela está mal representada nas artes. Me parece que só há amor e terror nos livros, filmes e etc. A solidão só aparece em poucas doses, pois em quantidade grande não deixa esperança nenhuma.