Primeiro post do ano! Queria agradecer todos que visitam e comentam, mesmo que seja pessoalmente. Alcançei a marca de 200 visualizações! É muito para um blog egocêntrico, não é não?
Agora, sentem que lá vem a história...
Estava eu entediada (tá, nem tanto, teorias psicológicas são interessantes, mas Jean Piaget já deu u.u) na aula de psicologia da educação quando a professora, no meio de suas divagações, menciona que, certo dia, ela encontrou uma ex-aluna dela na rua. Essa aluna veio muito feliz e animada falar com ela, com um sorriso enorme. Acontece que essa menina estava no conic carregando a famosa placa "compro/vendo ouro", ou seja, ela estava trabalhando nesse ramo. A professora recebeu a menina muito entusiasmada, mas ao contar essa história, ela começou a chorar. Para ela, a menina teria fracassado na vida, já que ela era uma estudante da unb que (aparentemente) só tinha conseguido vender/comprar ouro na vida.
Morri de dó da professora, mas pensei comigo que suas lágrimas não eram tão justificáveis assim. No Brasil e na cultura ibérica no geral, existe uma desvalorização generalizada do trabalho braçal. Para vocês terem uma idéia, na idade média ibérica, você não poderia ter nenhum título se você ou qualquer antepassado seu tivesse o que eles chamavam de "defeito mecânico": trabalhar manualmente. Eu acredito que todas sociedades não gostam de trabalhar, em maior ou menor grau. No Brasil é em maior grau, definitivamente.
Outro exemplo: quando eu estava no ensino médio, e e meus amigos queríamos trabalhar nas férias para ganhar uma grana. O que eu ouvi de amigos meus dizendo que seus pais não deixaram eles trabalharem porque não estava faltando nada para eles não está nos gibis. A minha mãe, por ser parte de uma religião que prega o trabalho como forma de evolução só me falou "vá em frente"
As lágrimas da professora foram tão justificáveis assim? Só porque a sua aluna estava em um trabalho braçal era motivo de choro? A professora não deu detalhes sobre a situação em que a menina de fato se encontrava, mas o que tinha de tão ruim no trabalho da menina? Sei que, se eu fosse professora e visse algum aluno meu nessa situação a frustração seria grande. Mas tenho a impressão de que essas lágrimas representavam mais a dó da menina fazendo o trabalho braçal do que a dó de ela ter tido a oportunidade e desperdiçado.
Portanto, leitores, vamos deixar de arrogância e preguiça e vamos trabalhar, não importa o tipo de trabalho. O ano só está começando =D